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Palavras e Idéias....


LER É VIVER

 

Hoje passando os olhos pela minha estante de livros, vi o "Elogio da Leitura" de Gabriel Perissé que li há muito tempo. Pego para reler alguns trechos desse lindo livro que é uma ode ao ato de ler. Logo no começo encontro esse poema do poeta Ricardo Azevedo chamado Aula de leitura. Publiquei aqui no Blog pra guardar nesse meu bau virtual.

 

 "Aula de leitura"

Ricardo Azevedo 
Escritor e ilustrador paulista nascido em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens

A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão; 
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração. 
Uma arte que dá medo 
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

Poema extraído do livro: AZEVEDO, Ricardo
Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.

https://www.youtube.com/watch?v=FC4cg6fFTUs



Escrito por edilvabandeira às 11h37
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Meio 'déjà-vu', antologia agrada fãs de Neil Gaiman

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

29/10/2016  02h08




Coletâneas podem ser monstrinhos mal-ajambrados, cuja principal serventia é reunir textos que não são suficientemente ruins para ir parar no lixo nem bons para virar algo maior.

Monstrinhos, de fato, não faltam em "Alerta de Risco", coletânea do britânico Neil Gaiman –mas são do tipo que salta na jugular do leitor de dentes arreganhados, puxa os pés dele na cama de madrugada e o fazem dar duas voltas na chave da porta.

"O passado não está morto", proclama Gaiman ao apresentar os contos e poemas (sim, há três deles) que compõem o livro; há "um suprimento inexaurível de escuridão" no Universo.

 Ozier Muhammad/The New York Times 
 Neil Gaiman, author of more than 20 books on nightmares, human folly and fairy tales both young and adult, in New York, June 2, 2014. Gaiman will read his novella "The Truth Is a Cave in the Black Mountains" with art and musical accompaniment at Carnegie Hall on June 27. (Ozier Muhammad/The New York Times) - XNYT76
Neil Gaiman, que tem seu 'Alerta de Risco' lançado no Brasil

Daí o título do livro –uma tradução inevitavelmente imprecisa do termo inglês "trigger warning", hoje usado para designar alertas de que determinada imagem, notícia ou obra literária (entre outras coisas) pode trazer conteúdos violentos, perturbadores, traumatizantes, "não recomendados para menores".

Seria, portanto, uma coletânea de horror? Não exatamente, embora o lado sanguinolento da imaginação apareça em boa parte das histórias.

Também há muito humor (frequentemente negro) nesses contos, assim como doses generosas de ficção científica e fantasia, gêneros vorazmente deglutidos por Gaiman em seus anos de formação. Se fosse necessário forçar a barra para achar um fio comum aos textos de "Alerta de Risco", este escriba apontaria a questão do tempo e da memória: como criaturas como nós lidam com o passado, real ou imaginário.

Em registro cômico, temos o sujeito responsável por "desinventar" as grandes invenções do futuro (como carros voadores e viagens interestelares) em "E Vou Chorar, como Alexandre", ou a menina que explica, num formato de questionário policial, como sua irmã virou uma imperatriz E.T. (em "Laranja").

No lado mais sério, encontramos o sujeito que, de repente, descobre que a namorada que inventou na época do ensino médio para impressionar os amigos passou a existir (é o mote de "Detalhes de Cassandra"); ou duas recriações seguidas do conto de fadas "A Bela Adormecida" em "Respeitando as Formalidades" e "A Bela e a Adormecida".

O acerto de contas com o passado inclui ainda habilidosas homenagens do britânico aos contistas e às histórias que o influenciaram: é o caso de "O Homem que Esqueceu Ray Bradbury" (quase uma retrospectiva poética da obra do autor de "Fahrenheit 451") e "Caso de Morte e Mel", uma aventura de Sherlock Holmes que venceu o Prêmio Locus de melhor conto em 2012 (os contos que receberam a láurea nos dois anos anteriores também foram escritos por Gaiman e, veja, estão na antologia).

O "gran finale" do livro, "Cão Negro", ajuda a matar as saudades de Shadow Moon, semideus e ex-presidiário que é o protagonista do romance "Deuses Americanos", best-seller de Gaiman.

A narrativa se passa no interior da Inglaterra e usa elementos que os fãs já se acostumaram a esperar nos textos do escritor: recriação habilidosa de elementos históricos e folclóricos, personagens que raramente são quem parecem ser, assassinatos e, é claro, gatos –talvez a maior congregação de felinos já descrita pelo autor.

Ao apresentar o conto na introdução do livro, Gaiman confidencia que Shadow ainda enfrentará mais uma aventura antes de voltar para os EUA –possível pista sobre uma sequência de "Deuses Americanos", da qual ele tem falado já faz alguns anos.

Será que essa sensação de "já li isso antes" compromete o livro, ou atesta a estagnação criativa do criador de "Sandman"?

Talvez para quem só vê virtudes literárias na busca incessante por novidade; mas é difícil negar que as histórias de "Alerta de Risco" (ou ao menos a maioria delas) simplesmente funcionam. São como uma fresta para um mundo cujas maravilhas e horrores espelham os do nosso.

Recomenda-se enfiar o livro numa gaveta à noite, só por via das dúvidas. 

ALERTA DE RISCO: CONTOS E PERTURBAÇÕES 
AUTOR Neil Gaiman;
TRADUÇÃO Augusto Calil
EDITORA Intrínseca
QUANTO: R$ 44,90 (304 págs.)



Escrito por edilvabandeira às 11h32
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O kit religião - Contardo Calligaris

12/05/2016  02h01

Para quem não ouviu falar disso, existe um projeto de lei (PL 679/2013, do deputado estadual Rodrigo Moraes, PSC-SP) que prevê a entrega de um kit bíblico para crianças do ciclo primário. Não sei como será o kit, mas entendo que ele terá textos impressos, vídeos etc.

O projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (incrível), reprovado pela Comissão de Educação e está agora na Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia Legislativa de São Paulo. Se for aprovado por duas das três comissões, ele irá para o plenário.

O deputado estadual Gilmaci Santos (PRB-SP), pastor evangélico, posicionou-se contra o projeto num artigo publicado na Folha em 2 de abril (folha.com/no1756706).

O argumento do deputado Gilmaci é que o Estado é laico e a escola deve ser laica. A educação religiosa compete à família, não ao Estado. Além disso, a distribuição de um kit cristão abriria um precedente: todas as religiões presentes no Estado de São Paulo exigiriam com razão que seu próprio kit fosse também distribuído. Cada criança deveria receber o kit cristão (na verdade, vários: um católico, um protestante, um mórmon, um adventista etc.), um kit espírita, um kit da religião afro-brasileira, um kit judeu, um kit muçulmano, um kit mórmon, e kits hoasquerio, hinduista, bahá'í, budista, etc.

Menos do que isso tornaria o projeto de lei contrário à Constituição (sobretudo Título 2, Capítulo 1).

É por isso tudo que sou favorável à distribuição do kit bíblico aos alunos das escolas públicas e privadas –porque, inevitavelmente, o kit virá com outros, um por cada religião, e conhecer a pluralidade e a variedade das crenças religiosas talvez seja o melhor jeito de provocar nas crianças um ceticismo salutar.

Assisti ao filme "Os Dez Mandamentos" no shopping Bourbon, em São Paulo, numa sala quase vazia e misteriosamente "esgotada". Os trailers que precediam o filme tinham sido selecionado para o público cristão. Isso, com a exceção de "Deuses do Egito", que algum distribuidor desavisado considerou bom para o mesmo público dos "Os Dez Mandamentos".

O efeito era paradoxal. No trailer, você via deuses com uma mistura dos superpoderes dos X-men com truculentas paixões humanas (raiva, vingança, rivalidade etc.). A seguir, Iavé parecia igual: brigava com o Faraó, mandava perebas, fazia chover fogo, matava primogênitos, afogava exércitos e de vez em quando aparecia como um arbusto ardente, que não é muito melhor do que a cabeça de pássaro de Horus.

Em suma, o trailer de "Deuses do Egito" deixava o cristão com a curiosa sensação de que seu deus era mais um –sim, claro, aquele que ganhava na briga com o faraó e os outros deuses daquelas terras, mas, mesmo assim, um entre outros.

Voltemos ao Projeto do kit. Quando li o artigo de Gilmaci Santos, pensei que a pluralidade das religiões teria um efeito contrário a qualquer doutrinação. E que essa pluralidade era toda a proteção da qual nossas crianças precisavam. Só mais tarde, dei-me conta de que, vítima da religiosidade dominante, eu estava me esquecendo de algo essencial.

Segundo o censo de 2010, as pessoas que se declaram ateias ou agnósticas (ou ainda que acreditam em algo divino, mas em nenhuma suposta revelação) são mais de 8% da população brasileira. Esse grupo, cuja percentagem quase dobrou em dez anos, é o terceiro mais numeroso depois dos católicos e dos evangélicos.

Mundialmente, os que não se reconhecem em nenhuma religião são mais de 20% –também o terceiro grupo depois dos cristãos (juntando todas as denominações) e dos muçulmanos.

Se o Projeto de Lei do kit bíblico fosse aprovado, seria preciso decidir se os não religiosos teriam o direito constitucional de presentear as crianças com seu proprio kit (mostrando, por exemplo, que é possível ter uma vida moral e plena sem religião alguma). Ou seja, pergunta: os não religiosos são protegidos pela mesma disposição constitucional que garante a liberdade de religião?

O nosso Supremo ponderará, mas é bom notar desde já que a Suprema Corte dos EUA decidiu que a Constituição protege da mesma forma "o direito de escolher qualquer fé religiosa e o de não escolher nenhuma".

Nota: a questão é urgente. Além do projeto do kit bíblico, existe uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que daria às igrejas o poder de oferecer questionamentos ao Supremo Tribunal Federal. 



Escrito por edilvabandeira às 19h06
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TUDO TEM SEU TEMPO…


O tempo é mágico, cura feridas, amortiza as dores, traz conhecimento e sabedoria, fortalece o que sentimos, enterra o que deixamos de sentir e traz as verdades por que tanto ansiamos. Um dos maiores favores que podemos fazer a nós mesmos é saber aguardar a passagem do tempo – enquanto agimos, jamais passivamente -, pois sempre haveremos de colher de acordo com o que plantamos, e na hora certa.

Há tempo para falar. Para expressarmos nossos sentimentos a quem amamos, colocarmos nossos pontos de vista, ensinarmos nossos filhos, discutirmos nossos relacionamentos. Acumular sentimentos dentro de nós o tempo todo adoecerá nossa alma e nosso corpo. É necessário dizermos o que e como nos sentimos, com as pessoas certas, nos momentos apropriados. Temos sempre muito a dizer, por menos que acreditemos nisso, pois somos únicos e especiais à nossa própria maneira.

Há tempo para silenciar. Encontrarmos os momentos adequados para nos expressarmos vai fazer toda a diferença em nossas vidas. É preciso que o outro esteja aberto a receber o que temos a oferecer; caso contrário, estaremos fadados a ecoar no vazio inútil do qual ninguém sai fortalecido, muito pelo contrário. No calor das emoções, por exemplo, tendemos a proferir palavras ofensivas, rancorosas e, muitas vezes, não correspondentes às nossas verdades. Nada disso vale a pena nesses momentos, apenas o silêncio.

Há tempo para plantar. É preciso cultivar e cativar as pessoas que nos amam verdadeiramente, dia após dia, pois com elas poderemos contar quando precisarmos de mãos amigas nos afastando dos fantasmas de dentro de nós. Discernir entre quem precisa do que somos e quem apenas precisa nos usar em proveito próprio nos ajudará a caminhar mais tranquilamente por caminhos mais transparentes. Somente assim conseguiremos preencher os vazios de nossa essência, de forma a que não nos percamos na solidão da amargura e do arrependimento.

Há tempo para colher. Ninguém fugirá ao enfrentamento das conseqüências de tudo o que fez ao longo do caminho. Todos colheremos exatamente o que plantamos. Todos estaremos rodeados pelo tipo de gente com quem priorizamos conviver enquanto caminhávamos. Todos nos encontraremos no lugar que fizemos por merecer. Diariamente, temos de escolher, dentre as muitas opções que se nos descortinam, e essas escolhas determinarão o tipo de vida que viveremos e que nós mesmos escolhemos viver. Vale lembrar que, como diz o ditado, quem semeia ventos colhe tempestades. Semeie paz.

Há tempo para ser. Temos que ser crianças, adolescentes, jovens e idosos na idade certa. Não adianta querer correr contra o tempo ou lamentar-se sem parar pelo que não fizemos, não dissemos. Vestir-se tal qual um adolescente, quando na meia idade, por exemplo, partindo em busca de um tempo perdido que não volta mais, não trará felicidade, tampouco compensará o que se perdeu pelo caminho. Certas coisas podem ser obtidas, não importando a idade que se tenha, porém, algumas delas terão que ser esquecidas – é necessário saber do que abrir mão para sempre.



Escrito por edilvabandeira às 20h20
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Ciberativismo dá o tom à série hacker 'Mr. Robot', que estreia no Brasil

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

02/11/2015 

 

"Olá, amigo." A voz em off do herói hacker Elliot Alderson (Rami Malek), protagonista da série "Mr. Robot", ecoa de uma uma tela totalmente preta, nos primeiros segundos do episódio de estreia, exibido nesta segunda (2) no Brasil, com um semestre de atraso, pelo canal Space.

A frase acabou encontrando um interlocutor improvável: Edward Snowden. O ex-agente da inteligência americana citou no Twitter, em 11 de outubro, uma frase do hacker da ficção. Snowden engrossou o fã-clube de "Mr. Robot", eleita a melhor série do ano pela crítica americana, com 98% de avaliações positivas, segundo o site "Rotten Tomatoes".

 Divulgação 
Rami Malek é o protagonista da série 'Mr. Robot'
Rami Malek é o protagonista da série 'Mr. Robot'

Se não a melhor, ao menos, tem sido uma das mais quentes, e a atualidade da trama explica o sucesso. Elliot é um hacker solitário, viciado em morfina, que usa suas habilidades para vasculhar a intimidade dos colegas.

Logo é cooptado por Mr. Robot (Christian Slater), líder de uma organização anárquica de ciberativistas. O plano deles é invadir os dados de uma gigante da informação, a Evil Corp, que mantém registros das maiores instituições financeiras do planeta. Caso deletem esses arquivos, toda a dívida do mundo vai pelos ares em um só clique.

"Pode até ser ficção, mas ao menos nos ajuda a ter uma ideia do mundo estranho que está se formando sob nossos pés", escreveu a Jenna Wortham no jornal "The New York Times".

Ao ciberativismo da série, elogiada por membros da organização hacker Anonymous, somou-se uma coincidência trágica. Em agosto, a rede USA Network adiou a exibição de um episódio: havia uma cena muito parecida com a do assassinato de dois jornalistas do Estado da Virginia, filmado pelo atirador.

A audiência, porém, foi morna em toda a temporada, que terminou com 1,2 milhão de espectadores, 8% a menos do que a estreia. O último de "Game of Thrones" teve 2,2 milhões, quase o dobro.

Caso ainda não tenha "hackeado" a série e assistido a ela on-line, antes da estreia na TV paga, o brasileiro poderá ver "Mr. Robot" quase que de uma só vez: a temporada irá ao ar quatro vezes por semana, de segunda a quinta, até 12 de novembro.

NA TV



Escrito por edilvabandeira às 20h12
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VLADIMIR SAFATLE

Os alicerces da cidade

Semana passada, escrevi um artigo sobre algumas questões ligadas à música no Brasil contemporâneo. Das acusações suscitadas pelo referido, a mais leve era a de que não entendia nada sobre música, a mais cômica era de que eu seria pago pela grande imprensa para desqualificar a produção musical nacional. Entre elas, circulavam alguns impropérios de douta finesse, dignos do Grande Dicionário Arranca-Rabo da Língua Portuguesa ou do best-seller "UFC Acadêmico: Quebrando o Pescoço do Inimigo", sem descuidar de notas de rodapé e citações. Claro que não poderiam também faltar metralhadas classicamente mobilizadas desde a época que stalinistas atiravam no "formalista" Vladimir Maiakóvski a fim de desqualificar a "dificuldade" de sua poesia. Ou seja, para minha não surpresa, estavam lá os velhos "elitista", "ultrapassado", "desconectado da verdadeira pulsação febril das massas". Faltou pouco para não aparecer um "inimigo da classe trabalhadora e de suas manifestações", mas atualmente "adorniano" já basta para tanto.

Dentre as críticas que chegaram até mim, algumas eram realmente interessantes e diziam respeito às modalidades de circulação da produção musical atual. A estas, só tenho a agradecer. Mas a maioria, infelizmente, era contra o que simplesmente não falei nem pensaria em defender. Ou seja, tudo o que se pode dizer neste caso é: desculpem-me, amigos, mas creio que a carta foi postada com o endereço errado. Com sangue nos olhos, não se consegue ler nem texto de jornal.

Em momento algum foi questão de afirmar que a produção musical brasileira atual seria desprovida de qualidade em relação aos "grandes padrões do passado" ou a qualquer coisa que o valha. Nem procurei reeditar o simplismo da saga erudito X popular. Gostaria simplesmente de lembrar o que realmente escrevi: "A despeito de experiências musicais inovadoras nestas últimas décadas [Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Criolo, só para ficar em alguns entre tantos], é certo que elas conseguiram ser deslocadas para as margens [ou seja, o problema era de circulação, não de produção], deixando o centro da circulação completamente tomado por uma produção que louva a simplicidade formal, a estereotipia dos afetos, a segurança do já visto, isto quando não é a pura louvação da inserção social conformada e conformista." Antes, eu dissera no mesmo artigo que o Brasil fora um dos poucos países capazes de extrair genialidade de um sistema musical largamente baseado na forma-canção.

Pode-se dizer que essa noção de "margem" e "centro" seria tributária de um modelo de difusão da produção cultural anterior ao advento das redes sociais. Esse é um argumento válido, seria necessário discuti-lo com calma, o que não é possível no espaço de um artigo de jornal, mas temo que ele seja muito mais um "wishful thinking" do que realidade. Vários são os estudos de mídia a mostrar que o "consumo" de música continua centralizado em dinâmicas brutalmente oligopolistas, repetindo um padrão de radicalização do monopólio típico de todos os setores atuais da economia.

Agora, há algo que realmente falei e que repetiria com todas as letras. Há uma incrível covardia crítica em relação à miséria musical do que circula de forma maciça nesta última década. Citei o funk e o sertanejo universitário por serem os casos mais evidentes. Creio que parte de tal covardia vem do fato de que, mesmo que esta produção seja ouvida em qualquer festa da elite brasileira, mesmo que ela seja o motor da produção da indústria cultural brasileira, que ela embale sem tensão o mundo da integração absoluta, alguns ainda irão querer lê-la como expressão da "espontaneidade popular". Bem, para estes que acham não fazer sentido qualquer crítica da forma musical, que acham que qualquer análise crítica da produção cultural é mistificação de classe, teria muito a dizer, mas insistiria em um ponto: vocês, no fundo, não acreditam que existam julgamentos estéticos, apenas se acomodam a análises sociológicas. Vocês se importam pouco com música, apenas acreditam que as "manifestações musicais da classe trabalhadora" ou congêneres devam ser respeitadas em quaisquer circunstâncias. Vocês sequer se perguntam quão estranho é sua noção de "classe trabalhadora" acomodar-se tão bem à condição de figurante de programa dominical de variedades da Rede Globo. Talvez isso mostre como, para alguns, a ideia de uma arte revolucionária só poder ser feita com uma forma revolucionária perdeu todo o sentido.

Platão dizia: "Não se abalam os gêneros musicais sem se abalarem os alicerces da cidade". O tipo de reação canina ao que escrevi só demonstra que Platão sabia do que falava. Muitos, sem saber, querem deixar os alicerces onde eles sempre estiveram.

FONTE: Folha de São Paulo, 16 de outubro de 2015



Escrito por edilvabandeira às 18h32
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VLADIMIR SAFATLE

O fim da música

A música brasileira se transformou na trilha de fundo da literalidade de nossos horizontes

Em todos os momentos em que teve desenvolvimento econômico, o Brasil soube acompanhá-lo de explosão criativa em sua produção cultural, menos agora.

No interior de tais explosões, a música costumava desempenhar um papel de alta relevância. A ideologia cultural nacional sempre foi, em larga medida, uma ideologia musical. Ela aplicava assim, em pleno século 20, essa estratégia política da formação dos Estados-nação no século 19, que consistia em utilizar a música para a construção das "nacionalidades".

Como tivemos de esperar até 1930 para começar a deixar de sermos um mero clube associativo de donos de fazendas para sermos algo mais próximo de um país, foi a partir daí que a música brasileira passou à linha de frente do debate cultural. A construção nacional de Villa-Lobos e das pesquisas musicais de Mário de Andrade são exemplos paradigmáticos nesse sentido.

Na Europa do século 19, a junção entre Estado, nação e povo se fez, entre outros meios, pela elevação da música à linguagem de construção do espaço social e de reconciliação das populações como unidade.

Criou-se o folclore, instrumentos típicos, particularidades que, muitas vezes, eram apenas variações estruturais de constantes globais. Assim, a narrativa do povo que encontra seu solo e os afetos que o singularizam vinha sob a forma do canto, deste mesmo canto que, já dizia Rousseau, era a forma da primeira linguagem que nos deixaria mais próximos da origem e da autenticidade.

Que tenhamos apreendido cirurgicamente a nos orgulhar da música brasileira como expressão maior da espontaneidade bruta de nossos sentimentos e modos de pensar, como modelo de convivência possível entre camadas sociais distintas e distantes (afinal, quando o samba fala alto tudo se mistura), é algo que não deveríamos estranhar. Como vários outros, este país foi construído a ferro, fogo e música.

No entanto, toda operação de ideologia cultural sempre produz mais do que consegue controlar. Essa alta importância da música acabou por produzir um sobreinvestimento. Mesmo que a música brasileira tenha se reduzido, em larga medida, aos limites da canção (a forma musical por excelência de consolidação de laços sociais devido a sua estereotipia formal e de fácil recognição), é inegável que o Brasil, como alguns poucos outros países, soube extrair genialidade de tais limites.

Que, nos anos 1970 e 1980, músicos populares tenham se transformado em expoentes maiores da consciência crítica nacional, trazendo para a esfera da alta circulação cultural aquilo que tinha a capacidade de complexificar nossa imagem de país, de sociedade e de afetos, apenas demonstra como toda construção de um solo e de um território acaba por ter de lidar com o que procura nos levar para além de tal território. O desenvolvimento econômico parecia levar a uma explosão cultural que tendia a complexificar as imagens produzidas por nossa ideologia cultural.

Mas algo de peculiar ocorre a partir dos anos 1990, chegando a seu ápice neste último decênio. A partir de certo momento, impera o movimento que vai do É o Tchan, da era FHC, ao funk e sertanejo universitário do lulismo.

A despeito de experiências musicais inovadoras nestas últimas décadas, é certo que elas conseguiram ser deslocadas para as margens, deixando o centro da circulação completamente tomado por uma produção que louva a simplicidade formal, a estereotipia dos afetos, a segurança do já visto, isso quando não é a pura louvação da inserção social conformada e conformista. A música brasileira foi paulatinamente perdendo sua relevância, para se transformar apenas na trilha de fundo da literalização de nossos horizontes.

Ultimamente, todas as vezes que se levanta a regressão da qual a música brasileira é objeto se é acusado de elitista. Afinal, tais músicas teriam vindo dos estratos mais pobres da população brasileira. O que se chora seria, na verdade, o fim da dominância cultural da classe média urbana e o advento das classes populares e das classes do "Brasil profundo".

Como se fosse o caso de aplicar um esquema tosco de luta de classes ao campo da cultura. Para esses que escondem sua covardia crítica por meio de tal exercício, lembraria da necessidade de desconstruir a farsa de um "popular" que não traz problema algum para o dominante. Lembraria de como não há arte proletária, cultura proletária, religião proletária, moral proletária, Estado proletário, pois, como dizia Marx, os proletários são aqueles que não têm religião, Estado, moral (e acrescentaria música, cultura). Por isso, eles são a indicação do que ainda não tem forma nem imagem. Sendo assim, em vez de aplicar esquemas sociológicos primários, melhor seria ouvirmos de fato o que se produz e nos perguntarmos por que chegamos a esse ponto.

FONTE: Folha de São Paulo, 09 de outubro de 2015



Escrito por edilvabandeira às 18h19
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Como guerrear com velhos 

FONTE: Folha de São Paulo, 02 de agosto de 2015.

JOHN SCALZITRADUÇÃO PETÊ RISSATTI

Meu tablet me acordou com um alarme às 5h45, o que era notável, pois havia configurado para me acordar às 6h. A tela estava piscando. Havia uma mensagem com o título URGENTE nela. Toquei na mensagem.

AVISO:

Das 6h às 12h, estaremos conduzindo o regime de aperfeiçoamento físico para todos os recrutas. Para garantir o processamento imediato, todos os recrutas devem permanecer em suas cabines durante esse horário para que os oficiais coloniais cheguem e os escoltem às sessões de aperfeiçoamento físico. Para auxiliar no decorrer tranquilo desse processo, as portas das cabines serão trancadas às 6h. Por favor, use esse tempo para cuidar de atividades pessoais que exijam uso do banheiro e de outras áreas fora de sua cabine. Se após as 6h você precisar usar as instalações sanitárias, entre em contato com um funcionário colonial em seu convés de cabines através do tablet.

Você será notificado quinze minutos antes de sua consulta. Por favor, esteja com roupas adequadas e preparado quando os oficiais coloniais chegarem à sua porta. O café da manhã não será servido; almoço e jantar serão servidos nos horários habituais.

Na minha idade, você não precisa me dizer duas vezes para ir mijar. Saí cambaleando até o banheiro para cuidar disso e esperei que minha consulta fosse mais cedo que mais tarde, pois não queria ter de pedir permissão para me aliviar.

Minha consulta não foi nem mais cedo, tampouco mais tarde. Às 9h, meu tablet deu o alerta, e às 9h15 ouvi uma batida seca na minha porta e a voz de um homem chamando meu nome. Abri a porta e vi dois coloniais à minha frente. Recebi permissão para fazer uma rápida parada no banheiro e depois os segui do meu convés até a sala de espera do dr. Russell. Esperei por um tempo antes de receber permissão para entrar em sua sala de exames.

– Sr. Perry, que bom ver o senhor de novo –ele falou, estendendo a mão. Os coloniais que o acompanhavam saíram pela porta dos fundos. – Por favor, entre no receptáculo.

– Da última vez que fiz isso o senhor enfiou milhares de pedacinhos de metal na minha cabeça –eu falei. – Desculpe se não pareço muito entusiasmado em entrar nisso aí de novo.

– Entendo –dr. Russell admitiu. – No entanto, hoje não vai haver dor. E estamos com pouco tempo, então, se o senhor não se importar. –Ele apontou para o receptáculo.

Relutante, entrei na máquina.

– Se eu sentir uma picadinha sequer, vou bater no senhor –alertei.

– Muito justo –dr. Russell disse quando fechou a porta do receptáculo. Observei que, diferente da última vez, dr. Russell trancou a porta do receptáculo com parafusos. Talvez ele tivesse levado a ameaça a sério. Não me importei. – Diga, sr. Perry –ele falou enquanto aparafusava a porta–, o que achou dos últimos dois dias?

– Foram confusos e irritantes –respondi. – Se eu soubesse que seria tratado como uma criança em idade pré-escolar, provavelmente não teria me alistado.

– É o que todo mundo diz –dr. Russel comentou. – Então, deixe-me explicar um pouco do que estávamos tentando fazer. Instalamos aquela série de sensores por dois motivos. Primeiro, como o senhor talvez tenha imaginado, estávamos monitorando suas atividades cerebrais enquanto o senhor realizava várias funções básicas e vivenciava certas emoções primitivas. O cérebro de todo ser humano processa informações e experiências mais ou menos da mesma forma, mas ao mesmo tempo cada pessoa usa determinados caminhos e processos únicos. É como todo ser humano, que tem cinco dedos, mas cada um tem impressões digitais únicas. O que estamos tentando fazer é isolar suas "impressões digitais" mentais. Faz sentido?

Eu assenti.

– Ótimo. Então agora o senhor sabe por que teve de fazer aquelas coisas ridículas e estúpidas por dois dias.

– Como falar com uma mulher nua sobre meu aniversário de sete anos –eu concordei.

– Conseguimos várias informações úteis desse teste –dr. Russell comentou.

– Não sei como –disse eu.

– É a parte técnica –dr. Russell me garantiu. – De qualquer forma, os últimos dias nos deram uma boa ideia de como seu cérebro usa as vias neurais e processa todos os tipos de estímulos, e essas são as informações que podemos usar como modelo.

Antes que eu pudesse perguntar modelo para quê, dr. Russell continuou:

– Em segundo lugar, a série de sensores faz mais do que um registro do que seu cérebro está fazendo. Também pode transmitir, em tempo real, as atividades de seu cérebro. Isso é importante, pois, diferente de processos mentais específicos, a consciência não pode ser registrada. Precisa ser transmitida ao vivo se tiver que fazer a transferência.

– A transferência.

– Isso mesmo –dr. Russell confirmou.

– O senhor se importa se eu perguntar de que diabos está falando? –perguntei.

Dr. Russell sorriu.

– Sr. Perry, quando o senhor se alistou no exército, achou que deixaríamos o senhor jovem de novo, certo?

– Achei –respondi. – Todo mundo acha. Vocês não podem fazer guerra com velhos, mesmo recrutando velhos. Devem ter algum jeito de nos rejuvenescer.

– Como o senhor acha que fazemos isso? –dr. Russell questionou.

– Sei lá. Geneterapia. Partes de substituição clonadas. Troca dos nossos órgãos velhos por novos.

– O senhor está meio certo –dr. Russel disse. – Usamos geneterapia e substituição clonada. Mas não "trocamos" nada, exceto o senhor.

– Não entendo –eu disse. Senti muito frio, como se a realidade estivesse sendo puxada debaixo dos meus pés.

– Seu corpo é velho, sr. Perry. É velho e não vai funcionar por muito mais tempo. Não há por que tentar salvá-lo ou atualizá-lo. Não é uma coisa que se valoriza quando envelhece ou tem partes substituíveis que o mantém rodando como novo. Tudo que o corpo humano faz quando fica mais velho é envelhecer. Então, vamos nos livrar dele. Vamos nos livrar dele inteiro. A única parte que vamos salvar é a única parte sua que não se degenerou"¦ sua mente, sua consciência, sua noção de "eu".

Dr. Russell caminhou até a porta ao fundo, por onde os coloniais haviam saído, e bateu nela. Em seguida, voltou até mim.

– Dê uma boa olhada em seu corpo, sr. Perry –ele disse. – Pois está prestes a dizer adeus para ele. O senhor vai para outro lugar.

– Para onde estou indo, dr. Russell? –perguntei. Eu mal conseguia salivar o bastante para falar.

– O senhor vem para cá –ele falou e abriu a porta.

Do outro lado, os coloniais entraram de novo. Um deles estava empurrando uma cadeira de rodas com alguém nela. Estiquei o pescoço para olhar. E comecei a tremer.

Era eu.

De cinquenta anos antes.



Escrito por edilvabandeira às 19h15
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Anúncios com amor gay geram guerra de curtidas e descurtidas

 Divulgação 
Imagens da campanha publicitário de O Boticário para o Dia dos Namorados. Peça que retrata casais gays gerou polêmica entre internautas conservadores

Imagens da campanha publicitário de O Boticário para o Dia dos Namorados. Peça que retrata casais gays gerou polêmica entre internautas conservadores.

 

Após ser alvo nas redes sociais de uma ofensiva homofóbica contra sua  campanha publicitária para o Dia dos Namorados, a rede O Boticário deu reposta incisiva e manteve sua posição favorável à diversidade sexual.

A campanha "Casais", que mostra duplas hétero e homossexuais se presenteando e se abraçando para celebrar a data, foi lançada há cerca de uma semana, mas em poucos dias passou a receber críticas nas redes sociais. O caso deu origem a uma guerra de "curtidas" e "descurtidas" ao vídeo da marca no YouTube. Até a conclusão desta edição, as manifestações a favor da campanha venciam a batalha, com 211,4 mil cliques, contra 155,7 mil votos contrários.

Em uma das queixas, um consumidor afirmou que o Boticário "deveria agradecer aos cristãos", pois são seus maiores clientes, e que a marca "não deveria lançar um comercial que afronta os valores da família".

BELEZA DAS RELAÇÕES

A empresa reagiu com nota em que diz que acredita na "beleza das relações" e "reitera que valoriza a tolerância e respeita a diversidade de escolhas".

"A proposta da campanha é abordar, com respeito e sensibilidade, a ressonância sobre as diferentes formas de amor –independentemente de idade, raça, gênero ou orientação sexual– representadas pelo prazer em presentear a pessoa amada."

O site Reclame Aqui informa que a Boticário ficou entre as mais marcas com mais queixas no dia 1º de junho: 163. Outros consumidores deram manifestações de apoio à peça publicitária.

Até recentemente vista como tabu na publicidade, a diversidade sexual vem saindo do armário, com campanhas de marcas como Sonho de Valsa, com um beijo gay, e da Gol, que, no Dia das Mães, mostrou relato de um casal de homens sobre a adoção.

Para publicitários, o posicionamento do Boticário representa um avanço. "Muitas marcas tinham medo de falar disso e ficarem tachadas. Hoje é mais natural e a resposta da empresa mostra essa evolução", diz Marcio Oliveira, presidente da agência Lew'Lara\TBWA

 

 

 

FONTE: Folha de São Paulo, quinta feira, 4 de junho de 2015.



Escrito por edilvabandeira às 17h08
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Livros de colorir levam amor e ódio ao mercado editorial

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
FOLHA DE SÃO PAULO

26/05/2015 

Há discórdia sobre o ranking –feito na semana de 11 a 17 de maio pelo portal PublishNews (o levantamento, com 12 livrarias, é referência no meio). Vide a reação quando o editor do site, o consultor Carlo Carrenho, provocou no Facebook: "E um livro para colorir com textos de Paulo Coelho e ilustrações de Romero Britto?" –teve quem ameaçasse suicídio com "faquinha de rocambole".

O mercado editorial expandiu a cartela de cores para além dos tons de cinza: 11 dos 20 livros mais vendidos no Brasil são livros de colorir para adultos, numa lista dominada por títulos como "Jardim Secreto" (750 mil cópias em seis meses) e "Mãe, Te Amo com Todas as Cores".

Editor-executivo da editora Record, Carlos Andreazza capitaneia uma "campanha pela maioridade intelectual". "Minha questão é apenas conceitual: caderno de atividades não é livro. Logo, não deve estar na lista de mais vendidos."

Na lista de mais vendidos que publica aos sábados, a Folha excluiu os livros de colorir, assim como já fizera com os de autoajuda. Outros rankings tradicionais, como o da revista "Veja", tampouco consideram os títulos de colorir.

Pedro Herz, diretor-presidente da Livraria Cultura, critica o que chama de "moda passageira". "Oxalá mude. Amanhã será livro de sudoku. Passatempo um pouco mais inteligente, não?", ironiza.

Tanto Herz quanto Andreazza associam o fenômeno à educação deficiente, o que afeta o público leitor do país. O curioso é que suas respectivas casas, a Record e a Cultura, estão por cima da carne-seca com o "boom" colorido.

O grupo editorial já vendeu 260 mil obras do gênero. E a conta só aumenta, diz Rafaella Machado, editora do selo Galera (para jovens adultos). Ela lembra da infância tingida pela Disney: "Pintava os '101 Dálmatas' de cores vibrantes, nunca os deixava brancos".

A paixão por colorir espichou com ela, que lança "Ateliê Fashion", para o qual desenhou 40 estampas "no prazo louco de uma semana".

Rafaella encara como "tolice elitista protestar contra qualquer hype. Esses livros atingem quem lê no máximo um livro por ano".

 Divulgação 
Imagem do livro "Pinte o Pintinho - Livro de Colorir e Atividades de Estresse", de Alexandra Moraes, editora Lote 42 (credito: Divulgacao) ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
Imagem do livro "Pinte o Pintinho - Livro de Colorir e Atividades de Estresse", de Alexandra Moraes, editora Lote 42

'GATOTERAPIA'

Carrenho faz eco: "Não é o cara que parou de ler Guimarães Rosa. É o cara que joga Candy Crush e agora está mais perto da livraria". E descartar essas obras do ranking "abre precedente perigoso", afirma. "Se só tiver livro de padre e você é ateu, vai fazer uma lista só com os livros favoritos?"

"Não é que uma obra literária venderá menos. Mas, bem antes, nem sequer terá chance de competir", rebate Andreazza. Crítica similar faz o cinema independente contra o domínio de blockbusters nas salas.

Desde março, a editora Alaúde imprimiu 400 mil cópias da coleção "Arteterapia" ("Gatoterapia" incluso). Descritos como "desestressantes", foram o estimulante perfeito aos negócios. "A impressão é que o que for lançado vai vender. E bem", diz a editora-executiva Ibraíma Tavares.

Vira até piada –de "Pintinho", tira da jornalista daFolha Alexandra Moraes. "Pinte o Pintinho - Livro de Colorir e Atividades de Estresse", previsto para junho, sugere dar um "banho de loja" na dona Pinta e "colorir os sacos de dinheiro que ela pegou emprestado com juros de 30% para pagar essas extravagâncias".De "Colorindo o Mundo Fashion - Relaxe com Estilo", da ex-modelo Claudia Liz, a "Suruba para Colorir", com Laerte, a onda não arrefece.

"A necessidade de afirmar uma 'maioridade intelectual' contra livros de colorir, Romero Britto e 'BBB' prova que provavelmente nunca chegamos a ela. Colorir não vai nos fazer tão mal...", diz Alexandra.

O psicanalista Jorge Forbes concorda. "As pessoas não se infantilizaram. Elas estão angustiadas. Ora, colorir deixa a cabeça solta. É como ir ao concerto ou fazer tricô feito as mulheres de antigamente."



Escrito por edilvabandeira às 16h55
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Mais um texto super instigante de  Hélio Schwartsman, colunista do Jornal Folha de São Paulo, publicado na edição do dia 28 de abril. Respeitado evidentemente a fé de todose de qualquer um, os argumentos do colunistas nos faz pensar e questionar alguns discursos religiosos.

 

Flagelo de Deus

Já chamei aqui atenção para o potencial teologicamente daninho de catástrofes naturais, das quais o terremoto no Nepal é um exemplo. Bastam alguns segundos de movimentação das placas tectônicas para produzir doses avassaladoras de sofrimento humano. Como conciliar isso com a ideia de um Deus que é, ao mesmo tempo, onisciente, onipotente e benevolente?

Considerações desse gênero, que na filosofia levam o nome de problema da teodiceia (justiça divina), desafiam religiosos há mais de um milênio. Ao que parece, o primeiro a explicitar as dificuldades foi Epicuro (341 a.C.-270 a.C.), mas, desde então, o tema foi abordado por dezenas de filósofos, tanto teístas como ateus.

Se nos aferrarmos à lógica, é forçoso concluir que, se há um ente supremo, ele é menos poderoso do que se apregoa, ou não é tão bonzinho, ou então devemos negar (ou relativizar) a existência do mal. Esta última é a saída teologicamente mais produtiva. Ao contrário de Deus, nós não temos todas as informações e é possível que o que nos pareça um mal ou uma injustiça seja, na verdade, um meio para produzir um bem maior.

Nessa linha, uma defesa popular do Criador é a chamada teodiceia escatológica, que adia para a próxima vida o acerto definitivo de contas com a justiça. Ali, os bons receberão suas recompensas e os maus serão punidos, anulando assim o que hoje tem a aparência de iniquidade.

Engenhoso, mas receio que esse tipo de argumentação não convença no íntimo nem os próprios fiéis. Se eles estivessem tão convictos assim da justiça final, deveriam todos ansiar pela próxima vida. O que se verifica, porém, é que religiosos não parecem constituir uma categoria de pessoas com especial apetite pela morte. Meu palpite é o de que as ilusões da religião só afetam as áreas evolutivamente mais recentes do cérebro, deixando preservados os sistemas mais antigos, responsáveis pelo instinto de sobrevivência.



Escrito por edilvabandeira às 20h04
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O Quinze, cem anos depois


Quem nunca leu o romance “O Quinze”da fabulosa escritora cearense Rachel de Queiroz, deveria fazê-lo. Ela descreve, com um olhar real e regional, o sofrimento de uma família cearense, vítima da seca e de todas as suas conseqüências. Ao final, na busca de um sonho quase impossível (felicidade e oportunidade), eles vagam para São Paulo após uma penosa e sofrida jornada de retirante. Nesta trama, Chico Bento e sua família, já cansados e humilhados pelos desígnios da seca, migraram para a cidade grande com a esperança de encontrar a paz. E assim eles fizeram, por mais que, no fundo, eles soubessem que a paz nunca seria alcançada.

Pois bem, 100 anos depois deste enredo, uma nova seca nasce. Contudo, uma seca diferente. Uma seca na selva de pedras. Uma seca na própria cidade e região que Chico Bento apostou suas fichas. Uma seca numa localidade famosa pelas enchentes. Uma seca na terra da garoa e de chuvas que alagam. Uma seca numa região de rios perenes. Quem diria! Uma seca! Mas é verdade. Só escutamos que o Sistema “Cantareira” vai secar e que a água vai acabar. O governo de São Paulo negava, todavia esta semana passou a afirmar que o racionamento será uma realidade. Portanto, a partir de então, iniciará outro ciclo de silêncio e de várias negações da realidade. Seria, mais ou menos, “um silêncio que precede o esporro”. Em outras palavras, todos estão amedrontados com uma possível notícia a ser estampada nas manchetes dos jornais, sobretudo, após o período de silêncio destacado acima. Todos temem ler ou escutar a seguinte manchete: “infelizmente, não choveu e a água acabou”. 

Quando Chico Bento e sua família foram expulsos daquele fim de mundo, esquecido por todos e localizado no sertão cearense, certamente, ele culpou a seca que é representada em sua plenitude pela falta d’água. Na obra “O Quinze”, uma pequena sentença conseguia explicar bem a seca de 1915, no Nordeste, e de 2015, em São Paulo – “como é agressiva e inconstante a natureza”. Não tenho dúvida que ela é, pois ora se chove horrores, ora não chove a ponto de gerar horror. Todavia, associado à questão climática, existe algo muito mais grave – a condição humana. Esta se sobrepõe ao intemperismo físico. A falta de planejamento e de respeito, frente ao sofrimento repetido de uma população que vive numa determina região, é o mais grave. Ou seja, as instabilidades climáticas maltratam menos do que o esquecimento político. Este sim dói e dói muito. Lá no Sertão Nordestino, o mesmo sertão representado no livro “O Quinze”, a falta d’água é, infelizmente, um fenômeno conhecido. E se conhece bem, por que ele se repete quase todos os anos. Lamentavelmente, a situação de São Paulo tem a mesma gênese de falta de planejamento, visto que, tal problemática transcende a carência de pluviosidade. No entanto, a grande diferença é que a falta d´água mantida é uma novidade nesta megalópole paulista. Se a água acabar de fato, como divulgado, será um caos até por que o ciclo poderá se repetir. E a cada repetição, o desespero aumenta. Como estamos falando de uma população intelectualizada, é bem possível que o desespero se transforme em revolta com cobranças mais eficientes do que as realizadas pelo povo pobre e de pouca instrução do sertão nordestino. 

A escassez de água numa região em que ela é abundante deixa uma mensagem manifesta – o desrespeito para com os outros. Quem sabe, isto possa mudar e, quem sabe, o sertanejo pobre e sem sonhos, que muitas vezes mendiga e se humilha na cidade grande, possa ser mais compreendido na sua dor. Enfim, Chico Bento e seus amados foram afugentados pela seca e, no final da peregrinação, foi proposto a ele tentar a vida em São Paulo com a seguinte fala reflexiva: “Por que vocês não vão para São Paulo? Diz que lá é muito bom... Trabalho por toda a parte, clima sádio... Podem até enriquecer. Que pena! Se a história ocorresse nos dias de hoje, 100 anos depois, Chico Bento precisaria saber que São Paulo vive a maior crise de água da sua história. Alguém teria que alertá-lo, informando que poderá faltar água. É a seca de 2015!

Dr. Régis Eric Maia Barros
Médico Psiquiatra
Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP – USP 

psiquiatria@stabilispsiquiatria.com.br

 

TEXTO DISPONÍVEL EM:http://www.stabilispsiquiatria.com.br/especial-para-voce/168-o-quinze-cem-anos-depois

 



Escrito por edilvabandeira às 12h32
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Os fantásticos beneficios de ler diariamente

 


 A leitura é uma das maiores conquistas que o ser humano pode conseguir, pois abre um mundo novo de oportunidades, deixando seu dia a dia mais fácil, sendo um grande diferencial para qualquer um. No entanto, no Brasil a leitura ainda não é uma prática frequente. Em uma pesquisa realizada em 2012 pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil ficou em 55° dentre 65 economias avaliadas, atrás de países como Chile, Uruguai e Tailândia no quesito leitura de nossos alunos.

Os benefícios para quem lê, seja partes de um livros ou um artigo de revista por dia são vários e podem trazer inúmeros acréscimos para a sua qualidade vida.

Estudos demonstraram que quem estimula o cérebro com a leitura pode prevenir o desenvolvimento de doenças mentais como o Alzheimer. Com a mente ativa, é menor a chance de perda do poder das funções cerebrais, pois um músculo do corpo necessita de exercícios constantes para seu melhor funcionamento. Jogos como xadrez também servem como estimulação cognitiva.

Com a vida agitada de nossa sociedade atual, é comum passarmos boa parte de nosso dia resolvendo problemas e a consequência disso é o estresse inevitável. Um romance bem escrito levar sua mente para lugares nunca imaginados que fazem com que você esqueça qualquer problema de sua rotina. Ler faz com que você relaxe e diminui o estresse, sendo a melhor forma de entretenimento.

É inegável que a pessoa que pratica a leitura como hobbie ou até mesmo que maneira “forçada” devido ao seu trabalho, tem mais chance de adquirir e absorver conhecimento, razão para sermos a espécie dominante do planeta. Além disso, ao contrário de bens materiais como dinheiro, o quanto de sabedoria e conhecimento você possui é o único bem que nenhuma pessoa pode lhe tirar, sendo aquilo que torna as pessoas mais preparadas para os desafios que sempre surgem.

 

Quando você lê um livro, por exemplo, repleto de diferentes personagens, locais e várias tramas, é preciso guardar tudo em sua mente para absorver a história. Dessa forma, você mantém seu cérebro altamente ativo, fazendo que o sua memória funcione muito bem, melhorando suas atividades diárias, seja no trabalho ou estudando. A cada memória nova que você cria, as existentess são fortalecidas, ajudando na recuperação das lembranças em curto e longo prazo.

Em nossa rotina totalmente voltada para a internet com várias páginas abertas e com o mundo dando preferência para quem consegue desenvolver várias tarefas ao mesmo tempo, a leitura se torna essencial para quem precisa ter grande poder de concentração. Quando você lê um livro, toda sua atenção está dentro da história, absorvendo todos os detalhes em seu cérebro. Ler 15 a 20 minutos antes de ir para o trabalho pode ser responsável por um aumento considerável em sua capacidade de se concentrar nas tarefas diárias.

 É preciso mais motivos para que você comece a ler um livro hoje?

 

Fonte: Dica de Saúde

http://www.andremansur.com/blog/os-fantasticos-beneficios-em-ler-diariamente

 

 



Escrito por edilvabandeira às 20h19
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INTERESTELAR
Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-114782/criticas-adorocinema/
Interestelar é o filme mais ambicioso de Christopher Nolan. E olha que estamos falando do cara que fez a trilogia do O Cavaleiro das Trevas e A Origem. Em seu novo projeto, o diretor decidiu realizar um longa sobre o homem, abordando sua natureza devastadora, mas também exploradora e empreendedora. 


Interestelar - FotoFã de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, Nolan faz uma homenagem ao cinema de 
Stanley Kubrick e à obra de Arthur C. Clarke, mas o espectador deve evitar entrar em maiores comparações entre as produções, afinal estamos falando de um dos maiores clássicos da história da ficção científica. Interestelar é um filme que merece escrever sua própria história, sem ficar sofrendo com comparações inadequadas.

Por outro lado, é difícil não lembrar de Kubrick diante da visão de futuro criada por Chris Nolan e pelo irmão Jonathan Nolan. Pode-se dizer até que o futuro de Nolan aqui é mais ambicioso do que o visto em 2001, para um filme de 1968.

Em um futuro não determinado, mas também não muito distante, o engenheiro espacial Cooper (Matthew McConaughey) trabalha como fazendeiro cultivando milho para alimentar a população mundial. A maioria dos alimentos da Terra já acabaram e as plantações que restam são constantemente atacadas por pestes e tempestades de poeira. Ao lado dos filhos e do sogro (vivido pelo ótimo John Lithgow), ele vive simplesmente, mas se incomoda com o fato da humanidade ter se contentado em sobreviver e esquecido seu lado empreendedor.

A primeira parte do filme busca construir as relações humanas do protagonista, que embarca em uma jornada importante que pode ser a última esperança para a população do planeta. Ele é chamado para liderar uma missão espacial que busca explorar novos planetas que podem substituir a Terra. Não vou entrar em mais detalhes sobre a trama para não estragar a experiência de ninguém. Temos reviravoltas importantes e algumas surpresas.



Escrito por edilvabandeira às 17h20
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INTERESTELAR PARTE II

Interestelar - FotoA montagem de Lee Smith merece elogios, principalmente pelo fato de conseguir fazer o filme fluir bem nos momentos mais reflexivos e mesmo contando com quase três horas de duração. A presença de depoimentos logo no início do filme, sugerindo um falso documentário também é interessante, fazendo uma ligação boa com o desfecho.

A direção de arte minuciosa e o ambicioso design de produção colocam o filme como um marco da ficção científica na Hollywood do século XXI, principalmente por tudo (ou melhor, quase tudo) parecer possível, como os robôs que são claras referências ao monolito de 2001, num ótimo trabalho também da equipe de efeitos visuais. A criação do som também é primorosa, lembrando muito o recente Gravidade, especialmente nos momentos em que investe no completo silêncio do espaço.

Parceiro tradicional de Nolan, o compositor Hans Zimmer, que brilhou em A Origem, não se sai tão bem. A trilha tem momentos bonitos e contemplativos, mas também soa exagerada em outras sequências. O mesmo se pode dizer da fotografia de Hoyte Van Hoytema, que consegue ser deslumbrante por 90% do tempo, mas que gasta outros 10% com flares (com luz sendo jogada diretamente na lente da câmera). Talvez tenha sido uma homenagem dos Nolan ao amigo J.J. Abrams, com quem Jonathan trabalhou em Person Of Interest

Interstellar (no original) aborda temas como o desperdício, abandono, solidão e desespero. É um filme sobre humanidade, retratando a capacidade do homem de ser devastador, mesquinho e ao mesmo tempo sonhador e iluminado. Também é um longa sobre o nosso lugar, insignificante, dentro do universo, sendo quase que uma declaração de amor do diretor à ciência.

Interestelar - FotoApesar disso, não se trata de uma obra completamente empírica e fundamentada. O sentimento também faz parte das conquistas do homem e aqui é tratado como algo fundamental para a narrativa. Neste sentido, o filme oferece algumas cenas realmente emocionantes. Do ponto de vista da ação, também conta com momentos marcantes, que irão arrepiar o espectador.

Matthew McConaughey tem uma atuação incrível. Em determinado momento, quando encontra problemas no espaço, a câmera foca apenas em seu rosto, fazendo com que o espectador tenha noção do quão grave é a situação apenas por sua expressão. Ele tem uma química muito boa com a jovem atriz Mackenzie Foy, que vive a filha de Cooper, Murph, quando criança. A garota está incrível, nos fazendo esquecer que um dia foi a filha de Bella Swan e Edward Cullen em A Saga Crepúsculo: Amanhecer.

Jessica Chastain, sempre ótima, vive Murph quando adulta, enquanto que Anne Hathaway volta a ter uma grande atuação, mostrando força e naturalidade como a Dra. Brand. O elenco conta ainda com as presenças de Michael CaineCasey AffleckEllen BurstynTopher GraceWes Bentley e Matt Damon.

Talvez gaste um pouco de tempo de mais em sua primeira parte e sofra com o modelo hollywoodiano de criar soluções simples, mas é realmente um filme especial. Quem é fã de ficção científica pode se preparar para muitas emoções.



Escrito por edilvabandeira às 17h20
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