Práticas de leitura e escrita na contemporaneidade
Estou cursando o 2º módulo do curso "Práticas de leitura em contexto digital", oferecido pela Escola de Formação de Professores Paulo Renato de Sousa, órgão da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEESP). Nesse módulo os cursistas são incentivados a contar suas experiências de leitura. (Eu já contei a mais antiga das minhas). Pessoas famosas das Letras nacionais falam sobre leitura e livros. Há textos incríveis de Rubem Alves, Contardo Caligaris, Marilena Chauí, Antonio Cândido e tantos outros.
O texto que agora publico aqui no blog é de Fernando Bonassi, achei incrível, caótico e denso como são os textos desse grande escritor brasileiro. É uma declaração de amor caudalosa e voluptuosa aos livros e a leitura. Curtam:
O que dizer por todos esses livros no zoológico das estantes?
Fernando Bonassi -Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 mar. 2003. Folha Ilustrada.
Livros são animais sexuados: livros são metidos, livros são gestados, livros são paridos. Livros crescem, como meninos. Livros sangram, como meninas. Livros infantis com ideias de aprendiz. Livros de aventura pra estimular a travessura. Livros de iniciação pras pessoas em formação. Todo livro é um livro da vida (mesmo os livros de contabilidade, que são livros de dívidas). Livros de poesia controlam a azia. Livros de História fortalecem a memória. Livros de viagem aperfeiçoam a paisagem. Livros de religião aumentam a devoção. Livros de química servem pra misturar. Livros de teste, pra confundir. Livros de lógica, pra entender. Livros didáticos, pra explicar. Livros revolucionários são livros vermelhos espetados no ar. Livres pra reclamar, livros de arrepiar!
Mas... com quantos livros se faz uma pessoa?
Livros de tabuada pra conta calculada. Livros de auto-ajuda praquilo que não muda. Livros de lazer pra quem tem muito o que fazer. Livros de direito pra homens de respeito. Livro de reza quando a coisa pesa. Livros em liquidação para leitores sem condição. Livros de oratória, livros de ortografia, livros de culinária, livros de psicologia. Livros em orgia. Livros pornográficos levados pra cama. Livros de etiqueta pra pôr a mesa. Livros sádicos. Livros trágicos. Livros míticos. Livros pro alimento do espírito e dos editores. Livros pra vaidade dos escritores. Livros especiais. Livros espaciais. Livros de colecionadores. Livros de informática são livros de computador. Livros de condolências são livros cheios de dor. Livros ensinam a ler. Livros pro humor. Livros pra quem quiser ver. Livros loucos pra saber. Livros com ilustração auxiliam a compreensão. Livros beijados, livros mordidos. Livros apalpados, livros espremidos. Livros lambidos como frutos escorridos. Livros embebidos. Livros embevecidos. Livros abraçados como casais apaixonados. Livros são romances cultivados. São feridas, são repastos. Livros passados de mão em
mão, como boas biscas. Livros de arte. Livros de artistas. Páginas arrancadas sem vergonha, livros fumados com maconha. Livros de piada. Sacos de risada. Palavras cruzadas e frases alinhavadas. Livros depenados. Livros invocados. Livros em conflito. Páginas de livros processados em juízo. Livros censurados. Livros permissivos. Os livros das sopas, os livros dos sonhos, o livro dos molhos. Livros molhados nos clubes de livros. Livros de ocorrência. Livros policiais. Livros de referência. Livros originais. Livro pra orientação num universo em expansão. Livros equivocados. Livros inquisitivos. Livros engavetados. Livros recolhidos. Livros esmagados nos ônibus lotados. Livros encoxados, livros encolhidos. Livros espalhados por baixo dos estrados. Livros deflorados. Livros chacoalhados. Livros escondidos. Livros arremessados nos divórcios acalorados. Livros feito espadas. Livros como escudos. Livros que berram e livros que são mudos. O pior livro de cego é aquele que não quer se ler. Livros na ponta da língua. Livros com a ponta dos dedos. Livros engrossam, como rapazes. Livros melhoram, como mulheres. Livros murchos, livros sujos, livros finos. Livros como manda o figurino. Livros de moda. Livros em falta. Livros de sobra. Livros que cheiram bem e livros que cheiram mal (livros de renúncia fiscal). Livros roubados. Livros comprados. Livros vendidos. Árvores de livros abatidos. Livros de cabeceira. A fertilidade dos livros de madeira. Livros exibidos como corpos oferecidos. Livros safados. Livros falados. Livros sorvidos. Livros conservadores nas gavetas dos doutores. Livros emocionais pra cólicas menstruais. Livros de regime. Livros de política. Livros de ótica. Livros de crítica. Livros diários são livros crônicos, são livros cômicos, são livros tônicos. Dicionários de livros explicados. Raciocínios apalavrados. Teses de mestrado. Bolsas de livros financiados. Tomos, tombos, citações. Parágrafos, capítulos, correções. Publicações, polêmicas, opiniões. Livros importados. Livros transportados. Livros traduzidos. Livros encomendados, livros encarecidos. Livros encadernados como faraós embalsamados. Livros aposentados. Livros comentando livros. Livros lavrados em cartórios hereditários. Livros aplicados e homens especializados. Diplomas de livros emparedados. Livros emparelhados. Bibliotecas de livros amontoados. Sebos empoeirados. Livros decorados são livros encruados, são livros mal comidos. Livros devorados por vermes aculturados. Livros bichados. Livros suados. Livros vencidos. Caixas e caixas de livros caixa. Arquivos mortos em pandemônio, as fortunas dos livros de patrimônio. Livros de capas trocadas, capas disfarçadas, capas ofensivas. Livros de capas ousadas. Capas proibidas. Os livros contra capas. Os lidos pelas costas. Livros sádicos, livros cínicos, livros mágicos. Livros lívidos, livros épicos, livros bíblicos. Livros lidos como vícios. Livros de sacrifícios. Todo homem é um livro aberto. Todo livro acha que é certo. Escreveu, não leu, continua sendo livro. Já no início era o verbo! Larga a mão de ser burro e leia.
Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo.
Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante. Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido ... Vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set. Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecido. Mas há mais, algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?
Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado.Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho. A velhice melibertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!
PS: Recebi esse belo texto daZézé, secretária da FIU (Faculdades Integradas de Urubupungá) onde trabalho. Gostei tanto que resolvi publicar, porque estou envelhecendo e me sinto exatamente assim, recompensada por viver situações que só viveria nessa idade, como estar com a vida profissional estabilizada, os filhos formados, as emoções pessoais acalmadas, enfim, feliz!!!!!!!!!!!!!!!!
Esse belo texto que ora publico no BLOG foi enviado pela minha colega de trabalho professora de Geografia da Escola Estadual Arno Hausser Eloisa Cavalcante. Me identifico profundamente com todas as mulheres que enfrentam maridos, namorados, companheiros obssessivos, violentos e machistas, que nos consideram propriedade deles. Enfrentei essa situação durante 10 anos com o pai dos meus filhos, um homem que achava que era meu dono, que podia me trancar em casa, me proibir de estudar, de conversar com os vizinhos, de ter amigos, até hoje me pergunto como escapei daquele homem com vida. Enfim, esses homens são frutos de uma sociedade machista que considera a mulher propriedade de seu senhor, isto é, do seu marido. Por mais que achamos que em pleno século XXI essas ideias ficaram para trás, elas permanecem arraigadas na mente dos brasileiros, Lindimberg é um exemplo disso.
O indivíduo, a sociedade e a morte de Eloá
Mais de três anos depois do espetáculo televisivo produzido pelo cárcere seguido de morte de Eloá Pimentel, com apenas 15 anos de idade, a mídia se volta novamente para o caso dando fôlego, às mais diferentes teses sobre o comportamento do jovem rapaz, Lindemberg Alves, em julgamento há três dias. Por um lado, o psicopata, decepcionado e louco de amor; por outro, a caricatura do Romeu arrependido, sofrido e que esbravejou, também, em tom de loucura, que amava e queria Eloá. Em ambos, o amor ou o que se pensa sobre o amor delineia o tom e encobre o que, de fato, devemos debater. Definitivamente, não foi o amor que matou Eloá.
As análises do caso se voltam, quase que completamente, para o comportamento do jovem agressor. O assassinato é tomado por uma áurea de debate comportamental individual, com privilégio total e absoluto, das provocações subjetivas para que alguém possa ter cometido tamanha atrocidade. Em nenhum momento, os policiais, psiquiatras, psicológos, advogados.... convidados, pelos apresentadores de programas populares ou não, ao tratar do caso em rede nacional, levantaram questões acerca do que elaboramos sobre: sociedade patriarcal, machismo, violência de gênero, feminicídio, banalização midiática da violência.. para falar dos pontos que mais vem merecendo produção feminista, na academia e na política.
Não há problemas nem teóricos, nem políticos; nem muito menos midiáticos em discorrer sobre o indivíduo. Muito pelo contrário, há muito que as ciências humanas compreendem e elaboram a existência do indivíduo. No entanto, há muito, também, que as mesmas ciências humanas, ao elaborar sobre a relação indivíduo/sociedade, defendem que não devemos tomá-la de maneira maniqueísta ou absolutizar, de forma tuteladora, o que convencionamos chamar de social ou individual.
Falo sobre isso, pois, o machismo é um fenômeno sócio-político-cultural mais compreendido como genético que eu conheço sob a face da terra. De tão arraigado, parece estar presente no DNA de homens e mulheres. O machismo não paira no ar; nem corre no sangue de ninguém. É real, material e identitário e se mostra, em toda a sua concretude, por meio de comportamentos - individuais ou não; que se expressam dentro e fora de casa; nos espaços públicos e privados; nos partidos, nas igrejas, no estado. O machismo estrutura e é estruturado pela sociedade.
Nos comportamentos machistas, analisados, apenas, por sua "matriz" individual, o que mais aparece são as teses sobre posse, honra e ciúmes. Ora, ora... já desbaratamos que posse, honra e ciúme - repito - não são "amor" e não contribuem, em nada, para garantir uma boa relação afetiva. Nem para apimentá-la, como muitos preferem. Esta tríade potencializa a feição mais tragi-romântica das chamadas histórias de amor e são cantadas pela mídia, cotidianamente, nos casos mais famosos e nos mais anônimos.
Lindemberg não estava decepcionado amorosamente; decepcionados ficam qualquer um de nós quando levamos um “fora”. Ele estava inconformado com a decisão de Eloá em terminar a relação, que tudo indica, já tinha indícios de violência seja física, psicológica ou moral. A mídia, em sua versão conservadora, e graduados da ciência não tinham – e continuam sem ter - o direito de fazer dela, algoz ao ter se recusado a "dialogar" com o moço trabalhador, jovem e sofrido. Por ter assassinado Eloá, Lindemberg não deixa de ser nem jovem, nem trabalhador, nem sofrido, nem psicopata – se for o caso. Mas, estas características, que também tem expressão individual e social, não inibem o machismo e suas múltiplas feições, comportamentos, inclinações ou quaisquer nomenclaturas que o valham.
Não defendo nenhuma forma de exposição pública de Lindemberg. De maneira alguma. Ele precisa ser julgado, com base nos princípios de direitos humanos, e condenado para que este não seja mais um caso - dentre tantos outros – impunes pelo Estado e pela mídia. Ele, assim como muitos (muitos, mesmo) homens, jovens ou não, também são vítimas (e fazem vítimas), em diferentes graus, por conta do machismo, do homofobismo e do racismo. Mas, o Estado, neste caso, prioritariamente, o poder judiciário, não pode se pautar (e potencializar) a vertente institucional do machismo que violenta ainda mais as mulheres, em especial as mais jovens e pobres, que são as que mais permanecem em relações violentas por medo do ponto crítico da violência: a morte.
Neste caso, especificamente, resta saber, sob quais condições Lindemberg será julgado e condenado. Chegou a hora, mais uma vez, de acompanharmos o comportamento do Estado. Pois, o destino de Eloá já é conhecido. Ela morreu muitas vezes ao longo de todos os dias em que seu desespero foi exposto frente à imobilidade do Estado e da sociedade brasileira; morreu quando foi julgada por não querer o “amor” de Lindemberg; morreu quando foi culpada por ser tão bonita – “a mais bonita da escola” – e não ter querido dialogar com um rapaz tão apaixonado; morreu quando teve sua vida interrompida por tiros de revólver em sua virilha e rosto, que atingiram sua identidade e sua sexualidade, numa profunda declaração de domínio e controle sobre o corpo e a vida das mulheres.
Mas, Eloá vive! Vive na luta que travamos todos os dias; vive na alegria que vamos levar para avenida no carnaval de Fortaleza; vive em nossas meninas e meninos que queremos que tenham uma vida livre de todas as formas de opressão e violência, no presente e no futuro. Vive, pois não abriremos mão de nossa identidade feminista, de fazer política e de contribuir para a construção de uma outra sociedade. Lutemos em nome dela, por nós e por cada uma de nós!
Nágyla Drumond – Socióloga. Professora Universitária. Secretária Estadual de Movimentos Sociais do PCdoB. Integra a Coordenação Estadual da UBM/Ce e preside o Centro Socorro Abreu.
Aos domingos costumamos evitar temas pesados. O domingo é um dia pouco convidativo para pensar, por qualquer motivo. Mas há notícias que nos obrigam a fazê-lo. Em 22 de janeiro na Nigéria, os massacres de cristãos tiveram mais um horrendo capítulo, com mais de 178 assassínios perpetrados pelo grupo de islamitas do Boko Haran. Não é preciso sairmos aqui da velha Europa, contudo, para encontrarmos conflitos com motivação parcialmente religiosa. Com mais ou menos política à mistura, na Irlanda do Norte , católicos e protestantes continuam a odiar-se mutuamente, e os confrontos ainda ocorrem. Em Portugal, a Santa Inquisição vigorou até ao século XIX, com o seu cortejo de horrores. Ao contrário do que se pensa, a Reforma e Contra-Reforma não motivou apenas a queima de seres humanos por parte dos católicos. Os protestantes tiveram a sua conta de execuções nas fogueiras. Já em pleno século XX, aqui em Portugal, a implantação da República trouxe consigo tenaz perseguição e assassínio de pessoas crentes, com destaque para os católicos, que estavam na primeira linha dos visados pelo Golpe de Estado inspirado pela Maçonaria Portuguesa, e pelo seu braço armado, a violenta Carbonária. Os espíritas portugueses também conheceram a perseguição do regime totalitário de Salazar, mas ainda assim tiveram melhor sorte que muitos espíritas espanhóis, fuzilados pelo regime Franquista, em Espanha. Perante tanta desgraça perpetrada em nome da religião, há quem avente que a Humanidade melhor faria em desembaraçar-se dela. No entanto, no século XX, os genocidas recordistas foram José Estaline (62 milhões de mortos); Mao Tsé Tung (32 milhões) e Adolfo Hitler (21 milhões). Todos os três regimes eram oficialmente ateístas. A tão louvada Revolução Francesa, primeiro regime a abolir oficialmente Deus, começou, aliás, logo com o pé esquerdo (trocadilhos à parte), executando sem pudor quem não partilhasse dos seus postulados filosóficos. Os padres católicos constituíram grande fatia das vítimas de uma revolução que apregoava Liberdade-Igualdade-Fraternidade... Ainda há poucos anos, aqui na Europa do Sul, o presidente norte-americano George Bush, qual César da nossa era, bombardeava cidades Jugoslavas, a pretexto de restaurar a democracia e assumindo-se detentor de procuração divina. Uma lista de crimes cometidos em nome da religião, ou contra a religião, seria infelizmente uma Enciclopédia em vários tomos. O que urge perguntar é se cada um de nós, sejamos crentes ou ateus, somos coerentes com as nossas crenças. O que diria o Maomé sobre o massacre de hoje na Nigéria? O que diria Jesus de Nazaré sobre as queimas que católicos e protestantes levaram a cabo mutuamente durante séculos? O que diria Karl Marx sobre a violência de tantos regimes que se dizem marxistas? Repito: as motivações destes tristes casos de violência nem sempre são exclusivamente religiosas, mas o simples facto de os perpetradores se dizerem religiosos, devia chegar para os fazer pensar. Não pensam. Assumem a religiosidade como um emblema em nome do qual dão largas aos seus baixos instintos. Por serem portadores do emblema "certo", assumem agir em nome de Deus.
Que nos sirva de reflexão a todos, independentemente da crença que cada um professe. Será que em contexto favorável, também daríamos vazão aos baixos instintos que todos ainda transportamos? Será que no nosso dia-a-dia, mesmo não matando ninguém, nunca nos julgamos detentores de procuração divina?
Calendário 2012 das escolas estaduais de São Paulo
Diário Oficial -Poder Executivo - Seção I sexta-feira, 8 de julho de 2011 -Resolução SE 44, de 7-7-2011
Dispõe sobre a elaboração do calendário escolar anual das escolas da rede estadual de ensino
O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO, à vista do que lhe representaram a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas e o Departamento de Recursos Humanos e considerando: - as reivindicações de representantes dos profissionais da educação por ocasião de visitas realizadas pelo Secretário aos polos regionais; - a obrigatoriedade de se assegurar em todas as unidades escolares o cumprimento dos mínimos de dias letivos e horas de aula exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; - a necessidade de instrumento que preveja e contemple as atividades necessárias à eficácia e à eficiência da gestão escolar; - o disposto no Decreto nº 56.052, de 28.7.2010, que dispõe sobre o funcionamento das escolas públicas estaduais nos períodos de recesso escolar; - a conveniência de se adotar um calendário mais compatível com os dos demais sistemas de ensino; e - a oportunidade de se oferecer aos funcionários, alunos e pais de alunos condição de melhor planejamento de suas atividades, Resolve:
Artigo 1º - a partir do ano letivo de 2012, as escolas estaduais paulistas se organizarão para atender ao que se segue:
I – início das aulas regulares no primeiro dia útil de fevereiro;
II – encerramento das aulas regulares do 2º bimestre no último dia útil de junho;
III – início das aulas regulares do 2º semestre no primeiro dia útil do mês de agosto, e término, quando se completarem os 100 (cem) dias letivos previstos para o semestre.
Parágrafo único – a organização das atividades escolares será feita de forma a não prever a participação de alunos nos meses de janeiro e de julho.
Artigo 2º - As escolas estaduais deverão organizar seu calendário de forma a garantir, na implementação da proposta pedagógica, o mínimo de 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar e a carga horária anual de estudos estabelecida para o período diurno e/ou noturno, respeitada a devida correspondência quando adotada a organização semestral.
Artigo 3º - Consideram-se como de efetivo trabalho escolar os dias em que, com a presença obrigatória dos alunos e sob orientação dos professores, sejam desenvolvidas atividades regulares de aula e outras programações didático-pedagógicas, que visem à efetiva
aprendizagem.
§ 1º - É vedada a realização de eventos ou de atividades não programadas no calendário escolar, em prejuízo de aulas previstas.
§ 2º - Os dias letivos e/ou aulas programadas que deixarem de ocorrer por qualquer motivo deverão ser repostos, conforme a legislação pertinente, podendo ocorrer essa reposição inclusive aos sábados.
Artigo 4º - o calendário escolar deverá ser elaborado com a participação de docentes, ratificado pelo Conselho de Escola e encaminhado à Diretoria de Ensino para a devida homologação.
Parágrafo único - Qualquer alteração no calendário escolar homologado, independentemente do motivo que a determinou, deverá ser submetida à apreciação do Supervisor de Ensino da escola e à nova homologação pelo Dirigente Regional de Ensino.
Calendário 2012 das escolas estaduais de São Paulo (continuação)
Artigo 5º - na elaboração do calendário, a escola deverá observar:
I – férias docentes nos períodos de 1º a 15 de janeiro e de 1º a 15 de julho;
II - atividades de planejamento/replanejamento, avaliação, revisão e consolidação da proposta pedagógica, nos 2 (dois) ou 3(três) últimos dias úteis dos meses de janeiro e de julho;
III – período para o processo inicial de atribuição de aulas, de até 7 (sete) dias úteis, antecedendo ao período fixado nos termos do inciso anterior;
IV – 1 (um) dia de atividades para reflexão e discussão dos resultados do SARESP;
V - reuniões do Conselho de Escola e da Associação de Pais e Mestres;
VI - reuniões bimestrais de Conselho de Classe/Série e de pais de alunos; e
VII - recesso escolar:
a) no período que antecede as atividades de planejamento, em janeiro, logo em seguida ao período de férias docentes;
b) de 10 (dez) dias úteis no mês de julho, logo em seguida ao período de férias docentes, e c)
em dezembro, logo em seguida ao encerramento do ano letivo.
§ 1º - Os dias destinados às atividades relacionadas nos inciso II, IV e VI deste artigo são considerados como de efetivo trabalho escolar.
§ 2º - As datas das atividades previstas nos incisos II, III e IV deste artigo serão definidas em Portarias a serem expedidas pelos órgãos centrais da Pasta.
Artigo 6º - Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário.
Comentário da Edilva: adorei esse novo calendário letivo, pois assim as férias do meio do ano em meus dois empregos, particular e público, coincidirão. Como vou ficar em férias no início do mês de julho poderei ir à Feira Literária Internacional de Paraty, que sonho ir há vários anos, mas não posso viajar no início de julho devido as provas e entrega de notas da rede estadual. Vários colegas não gostaram do novo calendário, mas a vida é assim, nunca todos ficarão contentes.
Assisti ontem a noite ao inteligente, criativo e surpreendente filme Antes que o diabo saiba que você está morto (Before the devil knows you're dead), filme de 2007 com Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei, e Albert Finney como personagens em torno dos quais se desenvolve toda a trama narrativa.
Dirigido pelo veterano Sidney Lumet (84 anos), o filme surpreende e aterroriza pela força dramática, pela atuação dos atores e pelo intricado coeso do enredo, que obriga o telespectador a ficar o tempo todo atento para compreender a trama.
O tempo e o espaço, dois elementos básicos da narrativa são desconstruídos e fragmentados, as personagens se movem rapidamente em espaços interiores diversos, em um tempo pulverizado pela montagem do filme, que nos leva a diferentes momentos da ação fílmica, é preciso estar profundamente atento para preencher as lacunas do enredo sobre fatos que ficam em aberto para a nossa conclusão pessoal.
Philip Seymour Hoffman (Andy) enfrenta problemas na empresa imobiliária em que trabalha, pois é avisado pelo chefe da vistoria de auditores no departamento que dirige, vistoria esta que pode comprometê-lo, visto ter desviado dinheiro da empresa. Diante do desespero decide convencer o irmão Hank (Ethan Hawke), que também tem graves problemas financeiros, (como dívida atrasada da pensão alimentícia), a assaltar a joalheira de seus pais.
A partir daí, a trama ganha densidade incrível, em que as fragilidades, traumas e dor das personagens vem a tona de maneira dramática e dilacerante, numa reviravolta fantástica e bem montada.
Eu curti muito o filme, há tempo tinha vontade de assistí-lo, fiquei literalmente "pregada" o sofá, quando o filme terminou, respirei aliviada, pois foi muita tensão..kkkkkkkkk
TEXTO DE DESPEDIDA DE RUBEM ALVES DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
(A partir de hoje às minhas terças feiras ficaram mais tristes, pois não mais lerei a bela e filosófica coluna de Rubem Alves)
Despedida --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Minha alma é movida pelas ausências; mas, nos jornais, não há lugar para ressurreições
ESSA CRÔNICA é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever em Cotidiano. Devo ter perdido o juízo. Minha decisão contraria um dos dois maiores sonhos de cada escritor. Primeiro, o sonho de ser um best-seller. Encontrar algum livro seu nas prateleiras da livraria Laselva, nos aeroportos. Confesso: sou vítima dessa vaidade. Mas não aprendo a lição. Nos aeroportos, vou sempre visitar a Laselva na esperança de lá encontrar um dos meus livros. Saio sempre desapontado. O outro sonho dos escritores é ter seus textos publicados num jornal importante: ser lido por milhares de leitores. O que significa reconhecimento duplo: do jornal que os publica e dos leitores. Isso faz muito bem para o ego. Todo escritor tem uma pitada de narcisismo. Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: "Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas..." E ele se pergunta se "não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas..." Respondo: Sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar. A obrigação: é isso o que pesa. Quereria ser capaz de viver um poeminha do Fernando Pessoa: "Ah, a frescura na face de não cumprir um dever... Que refúgio o não se poder ter confiança em nós..." Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever. Sinto -pode ser que não seja assim, mas é assim que eu sinto-que já disse tudo. Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever. Não é qualquer coisa que se pode publicar num jornal. O próprio nome está dizendo: "jornal", do latim "diurnalis"; de "dies", dia, diurno; o que acontece no dia; diário. O tempo dos jornais é o hoje, as presenças. Mas minha alma é movida pelas ausências: nos jornais, não há lugar para ressurreições. Acho que aconteceu comigo coisa parecida com o que aconteceu com a Cecília Meireles. Escrevendo sobre ela, Drummond falou o seguinte: "Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me sempre a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Por onde erraria a verdadeira Cecília, que, respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal defeito 'uma certa ausência do mundo'"? Deve ser alguma doença que ataca preferencialmente os velhos e os poetas. A Cecília descrevia o tempo da sua avó com "uma ausência que se demorava". E Rilke se perguntava: "Quem assim nos fascinou para que tivéssemos um olhar de despedida em tudo o que fazemos?" O sintoma dessa doença é aquilo que a Cecília disse: uma certa ausência do mundo. O místico Ângelus Silésius já havia notado que temos dois olhos, cada um deles vendo mundos diferentes: "Temos dois olhos. Com um, vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro, vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem". Jornais são seres do tempo. Notícias: coisas do dia, que amanhã estarão mortas. E é por isso vou parar de escrever: porque estou velho, porque estou cansado, porque minha alma anda pelos caminhos do Robert Frost, porque quero me livrar dos malditos deveres que me dão ordens desde que me conheço por gente.
Fonte: Folha de São Paulo, edição de(01/11/2011). Caderno Cotidiano.
Ao contrário do que dizem os pessimistas de plantão e os professores infelizes, a vida de professor não é só estresse, cobrança e desvalorização profissinal, isso tem, é claro, mas há muitos (a maioria) momentos felizes, cheios de alegria, amizade, e confraternização como esse que vivi com as alunas do 1º ano de Pedagogia das Faculdades Integradas de Pereira Barreto(FIU).
Comentário da Edilva:re-publico no blog texto primoroso de Mirian Goldberg, antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre os velhos clichês que ainda permeiam o imaginário feminino em relação aos homens. Esse texto foi publicado na edição de 30 de agosto de 2001, no Caderno Equilíbrio do Jornal Folha de São Paulo.
Compartilhei esse texto em sala de aula com alunas do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas de Urubupungá (FIU), a maioria das alunas, mulheres entre 20 e 45 anos, disse que essas afirmações não são clichês, pois representam a realidade em que elas vivem. Leia e tire suas conclusões, pois os textos estão postos para que os leitores com sua visão de mundo construa sentidos e os entenda.
Os velhos clichês e a guerra de sexos (Mirian Goldberg)
"Homem só quer sexo, mulher quer amor." "Todo homem é galinha, machista e infiel." "Homem tem medo de mulher independente." "Homens ficam inseguros quando o salário da mulher é maior." "Homens são infantis, bobos e imaturos." "Eles odeiam discutir a relação." "Homem não sofre por amor." "Eles se separam e logo arranjam outra." "Eles detestam mulher inteligente." Esses e outros clichês são crenças frequentes entre as mulheres brasileiras. Elas repetem esses velhos chavões como se só elas, e não eles, tivessem mudado nas últimas décadas. Não encontro entre os homens os mesmos clichês. Eles dizem que se sentem atraídos pelas inteligentes e que admiram as fortes, poderosas, independentes. A maioria quer sexo, sim, mas com a mulher amada. Um economista de 55 anos declarou: "Para as mulheres, todo homem é galinha. Sempre fui fiel à minha mulher. Não quero ter outra. Quero que ela seja também a minha amante. Não quero trair a minha melhor amiga". Os dados do IBGE mostram crescimento no número de homens que se casam com mulheres mais velhas. Eles desejam uma mulher bonita, é verdade, mas desde que ela seja interessante (inteligente, bem-humorada, independente). Como me disse um arquiteto de 47 anos: "Essa coisa de homem trocar uma mulher de 40 por duas de 20 é o maior clichê que as mulheres inventaram. Quero uma mulher interessante, uma companheira. E que mulher de 20 anos pode me ensinar alguma coisa? Não quero uma filha para ser dominada ou um troféu para ser exibido. Mas as mulheres insistem em rotular os homens". Ou ainda, conforme um jornalista de 39 anos: "É até engraçado! As mulheres se consideram únicas, especiais, diferentes. Já nós, os homens, somos todos iguais. É como se elas fossem de uma espécie mais civilizada, superior, e nós os primitivos, seres inferiores". Elas continuam repetindo ideias que não combinam mais com grande parte dos homens brasileiros. Acabam, assim, reforçando os estereótipos de gênero, os mesmos que elas dizem querer destruir. É óbvio que as brasileiras estão mais livres. Mas parece existir uma cegueira feminina na hora de aceitar as transformações dos comportamentos masculinos e os novos modelos de ser homem. Para conquistar uma verdadeira igualdade entre os gêneros, não seria a hora de parar de enxergar todos os homens pela mesma lente dos velhos clichês?
Há mais de 200 anos, quem acaba são seus adversários, como a escravidão, o fascismo e o comunismo
Os Estados Unidos iam acabar. Não nesta semana, mas há exatos 150 anos, depois que as tropas do Sul venceram em Manassas a primeira grande batalha da Guerra Civil. Grandes políticos ingleses, bem como "The Economist" e "The Times" (pré-Murdoch), achavam que o presidente Lincoln forçara a mão com o Sul. Quatro anos e 620 mil mortos depois, a União foi preservada e acabou-se a escravidão. Passou pouco mais de meio século e, de novo, os Estados Unidos iam acabar. A Depressão desempregou 25% de sua mão de obra e contraiu a produção do país em 47%. A crise transformou fascismo e nazismo em poderosas utopias reacionárias. De Henry Ford a Cole Porter, muita gente se encantou com o ditador italiano Benito Mussolini. Dezesseis anos depois, as tropas americanas entraram em Roma, Berlim e Tóquio. Em 1961, quando os soviéticos mostraram Yuri Gagarin voando em órbita sobre a Terra, voltou-se a pensar que os Estados Unidos iam se acabar. Em 1989, acabou-se o comunismo. A decadência americana foi decretada novamente em 1971, quando Richard Nixon desvalorizou o dólar, ou em 1975, quando suas tropas deixaram o Vietnã. O dólar continua sendo a moeda do mundo, inclusive para os vietnamitas. A última agonia, provocada pela exigência constitucional da aprovação, pelo Congresso, do teto da dívida do país, foi uma crise séria, porém apenas uma crise parlamentar. Para o bem de todos e felicidade geral das nações, não só os Estados Unidos não se acabam, mas o que se acaba são os modelos que se opõem ao seu sistema de organização social e política. No cenário de hoje, o ocaso americano coincidiria com a alvorada de progresso e eficácia da China. Lá, o teto da dívida jamais será um problema. Basta que o governo decida. Como lá quem decide é o governo, nos últimos cem anos o Império do Meio passou por dois períodos de fome que geraram episódios de antropofagia. Hoje a China não tem os problemas dos Estados Unidos, afinal, nem desastre de trem pode ser discutido pela população. Guardadas as proporções, o sistema político brasileiro seria melhor que o americano, porque não haveria aqui a crise parlamentar provocada pelo teto da dívida. Se houvesse, o Brasil não teria quebrado nos anos 80 por ter tomado empréstimos dos banqueiros que ajudaram a criar a encrenca que hoje atormenta Washington. Aquilo que parece uma crise da decadência é uma simples e saudável manifestação do regime democrático. Quando os negros americanos foram para as ruas, marchando em paz ou queimando quarteirões, também temeu-se pelo futuro do país. O que acabou foi a segregação racial. Se hoje há uma crise nos Estados Unidos, ela não está nas bancadas republicanas ou mesmo na influência parlamentar do movimento Tea Party. Eles defendem o que julgam ser o melhor caminho para o país. A crise está em outro lugar, na negação, por um tipo de conservadorismo extremado, dos valores que fizeram da nação americana o que ela é. Quando o governo Bush sequestrou suspeitos pelo mundo afora, levando-os para centros de tortura, e viu-se obrigado a soltar alguns deles porque não eram o que se pensava, aí sim, os Estados Unidos estavam em perigo.
Comentário da Edilva: Texto primoroso de Elio Gaspari publicado na edição de 4 de agosto de 2011 da Folha de São Paulo. Reafirma o destino democrático da Nação Norte-Americana onde começou ou se não consolidou-se a maioria das ações de empoderamento do sujeito humano. Mesmo quando debaixo das botas de George Bush os Estados Unidos envergonhava a nós que o amamos, sabíamos que a ideia de liberdade e a vocação libertária desse país extraordinário iria vencer.
Foi iniciado ontem com encontro presencial a 3ª etapa do Concurso Público de Professores da Educação Básica II promovido pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.
Sou uma das aprovadas e mesmo sendo professora efetiva da Rede Estadual de Ensino de São Paulo, resolvi fazer o concurso porque este oferece vantagens como, ganho de ponto para atribuição de aula, oportunidade de estudar especificamente o Currículo do Estado de São Paulo, tanto em âmbito geral (pedagógico) quanto especifico (da disciplina que ministro, no caso Língua Portuguesa) bolsa de estudo ( no valor de quase três salários mínimos) durante 4 meses.
O curso é formatado em atividades on-line, 3 encontros presenciais e uma prova final. Hoje ao começar A conhecer o ambiente virtual de aprendizagem do curso e o materialfiquei muito contente com a perspectiva de aprendizagem que terei durante o curso.
Promovido pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo – EFAP, o curso é resultante das ações de formação empreendidas pela SEESP, por meio da EFAP, e visa assegurar aos futuros ingressantes uma formação sintonizada com o que se espera como prática docente na rede pública estadual.
De acordo com material da SEESP, o objetivo principal do curso é propiciar uma familiarização com a estrutura da rede de ensino, com a proposta curricular que orienta a prática de ensino de cada professor nas especificidades – as disciplinas – e questões pedagógicas nela implícitas.
O curso é composto de duas etapas planejadas da seguinte forma: 1.Núcleo Básico: etapa comum a todos os cursistas, com foco na formação pedagógica. Duração: 160 horas, distribuídas ao longo de oito módulos – oito semanas. 2.Formação Específica: etapa destinada às especificidades pedagógicas e curriculares das disciplinas para as quais o cursista se candidatou. Duração: 200 horas, distribuídas ao longo de dez módulos – dez semanas.
Nas considerações sobre a natureza do curso, o material elaborado pela SEESP afirma o seguinte: “O Núcleo Básico objetiva apresentar questões de caráter pedagógico e do cotidiano das escolas da rede pública estadual de educação básica. É uma etapa fundamental ao seu ingresso na rede, pois traz oportunidades de reflexão e debate a partir de conteúdos e atividades em torno de temas que abordam a estrutura da SEESP e sua proposta curricular para a educação básica, o papel do professor e sua identidade no ensino público, a gestão da sala de aula, bem como assuntos relevantes para o contexto atual da educação, tais como a educação inclusiva, a relação entre família e escola, identidade e diversidade com foco no estudo sobre jovens e adolescentes e nas questões que envolvem currículo e avaliação. A Etapa 2 corresponde aos módulos de formação específica nos conteúdos de cada disciplina e em Educação Especial e foi planejada com o intuito de abordar os conhecimentos relacionados à(s) disciplina(s) que você escolheu ao se inscrever no Concurso. Assim, após a formação no Núcleo Básico, você se aproximará mais das discussões teórico-práticas relativas ao exercício docente a partir dos conteúdos específicos de sua área de conhecimento.”
Estou animada e empolgada com a perspectiva de aprendizagem que será proporcionada por esse curso. Vamos estudar!!!!!!!!!!!!!!
Muitas vêzes só percebemos o quanto algo ou alguém é importante quando nos falta. Há mais de um mês que a TV Cultura estava fora do ar aqui em casa, nem procurei saber se estava fora do ar nas outras casas.hehehehe...
Eu adoro a TV Cultura e senti muito dela estar fora do ar logo nas minhas férias de julho em que teria oportunidade de assistir aos inúmeros programas da emissora que adoro, como: Metropólis, Vitrine, Entrelinhas, Café Filosófico, Documentários, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Manos e Minas e tantos outros.... Fiquei as férias inteiras tentando sintonizar a Cultura nos horários dos meus programas favoritos e nada.....
Agora a tarde estava assistindo TV e no intervalo passei pelo canal da Cultura e a imagem apareceu..Nossa, fiquei muito alegre, estava passando Festival de Cinema Infantil (já fiquei assistindo), depois assisti Escola 2.0, Pé na Rua, agora está passando Cultura Mundo sobre a Ilha de Mandagascar.
O legal é que hoje tem um programa que estreou e ainda não tive oportunidade de assistir que é o Cultura Retrô, apresentado pela Marina Person VJ da MTV e cineasta. Ah vou também assistir ao Metropólis...uauuuuu..vou tomar porre de TV Cultura hoje e matar a saudade...
Hoje é meu aniversário de 48 anos, digo sempre minha idade como atitude de resistência numa sociedade em que dizer a idade (especialmente a mulher) é tabu.
Não tenho costume de comemorar aniversário com festa, não faz parte da minha tradição individual, geralmente nesse dia fico comigo mesma, pensando na vida, lembrando fatos e pessoas que passaram e que estão, os caminhos que me trouxeram até onde estou. O que ainda quero fazer, ler, ouvir, assistir, enfim viver.
Nesse aniversário escolhi a canção Peão interpretada por Almir Sater (cantor e compositor que eu adoro) para pensar sobre a vida.
Penso no espaço do Sertão que aparece na canção como metafóra do mundo, como diria Guimães Rosa "O sertão é o mundo". Vejo a figura do Peão espantado diante das mudanças temporais e espaciais, como representação do ser, espantado diante das mudanças físicas e emocionais que acontecem em sua vida.
Especialmente os versos:"Os caminhos mudam com o tempo/Só o tempo muda um coração/Segue seu destino/boiadeiro/Que a boiada foi no caminhão", considero-os profundamente representativos de nossa trajetória existencial, pois meu caminho muda sempre com o tempo e naturalmente a minha pessoa sofre os impactos dessa mudança, mas como um peão cuja boiada partiu e não volta mais, devo seguir meu destino, pois certamente outras boiadas virão e partirão e virão e partirão e virão..............e partirão...........
Peão - Composição: Almir Sater e Renato Teixeira
Diga você me conhece/ Eu já fui boiadeiro/Conheço essas trilhas/Quilômetro, milhas/Que vem e que vão/Pelo alto sertão/Que agora se chama/Não mais de sertão/Mas de terra vendida/Civilização/Ventos que arrombam janelas/E arrancam porteiras/Espora de prata riscando as fronteiras/Selei meu cavalo/Matula no fardo/Andando ligeiro/Um abraço apertado/E um suspiro dobrado/Não tem mais sertão/Os caminhos mudam com o tempo/Só o tempo muda um coração/Segue seu destino/boiadeiro/Que a boiada foi no caminhão/A fogueira, a noite/Redes no galpão/O paiero, a moda,/O mate, a prosa/A saga, a sina/O "causo" e onça/Tem mais não/Ô peão..../Tempos e vidas cumpridas/Pó, poeira, estrada/Estórias contidas/Nas encruzilhadas/Em noites perdidas/No meio do mundo/Mundão cabeludo/Onde tudo é floresta/E campina silvestre/Mundão "caba" não/Sabe, "prum" bom viajante/Nada é distante/"Prum" bom companheiro/Não conto dinheiro/Existe uma vida/Uma vida vivida/Sentida e sofrida/De vez por inteiro/E esse é o preço "preu" ser brasileiro
Escuta o Almir cantando e veja a paisagem do Sertão/Pantanal, que coisa mais linda!!!!!!!!!!!!!!!!!