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Palavras e Idéias....


Somos mesmo sexualmente liberadas?

 

Dos 20 aos 27 anos, a carioca Suzana Leal foi gerente de marketing de uma estatal. Depois casou, parou tudo para criar os filhos e tomar conta da casa. Aos 49, cansada, segundo ela mesma, de pedir dinheiro ao marido, criou a loja de lingeries Pselda, em Ipanema, onde ela atende mulheres de todas as idades, tamanhos e pesos - como gosta de frisar. Mas a Pselda é mais do que uma loja, é um clube onde a mulher pode exercitar sua sensualidade, com cursos de sedução e aconselhamentos. Eu já tinha ouvido falar na Suzana por causa de notas que aparecem aqui e ali, sobre as novidades da Pselda, como um tecido novo ou uma calcinha vibratória. Essa última eu ouvi falar direto da Suzana, em sua participação absolutamente hilariante no programa do Jô, mês passado. A figura irreverente e simpatica desta consultora de sexo me levou a convidá-la para escrever algo aqui no 7×7. Ela topou.

Feminilidade contida

Somos de um século no qual as mulheres queimaram os sutiãs, reduziram a proporções mínimas o comprimento da saia e fizeram da pílula a grande descoberta. Progressos não faltaram na passagem para o novo milênio. Essas mesmas mulheres conquistaram igualdades de condições no mercado de trabalho. Se sentem realizadas por suas próprias conquistas, pois não colocam mais a responsabilidade da felicidade no casamento ou nos filhos. Claro que há restrições, mas as evoluções são muitas.

O que ainda causa estranhamento é que apesar de tantas mudanças, ainda não podemos afirmar que existe realmente liberdade sexual feminina. Não aquela negligente, despreparada, sem cuidados. E sim, liberdade de feminilidade. As mulheres ainda boicotam a busca pelo prazer pessoal, ainda se sentem intimidadas pela simples menção da palavra s-e-x-o.

Ainda há vergonha em exercer plenamente a sexualidade, ou buscar o prazer. Muitas mulheres ainda criticam a facilidade que outras possuem de expor sua sensualidade, outras repetem publicamente que não podem ser vistas em lojas ou lugares que trabalham com sedução ou com a feminilidade. Quer dizer, há um preconceito do próprio gênero feminino em relação àquelas mulheres sexualmente realizadas ou que buscam por isso.

O problema é que a existência desta implicância acaba por ressuscitar os fantasmas e os tabus que tanto perseguiram as mulheres nos séculos anteriores e provocaram sofrimentos terríveis em nossas antecedentes, que sufocavam seus direitos de serem felizes e de saciar seus desejos.

Houve tempos em que aquelas que exigiam ter prazer eram consideradas loucas ou histéricas e eram até mesmo internadas em hospícios. Hoje isso não ocorre mais, mas ainda é comum que se criem alcunhas infames para as mulheres que desejam aprender mais sobre as técnicas de sedução ou aquelas que criam diferentes fantasias e procuram lingeries ousadas para incrementar a relação a dois.

Não há pecado em deixar transparecer aquela poção “Afrodite” que existe em cada mulher. Tão pouco, há vergonha em se deixar levar pelo desejo de obter um daqueles artigos “mágicos” que prometem prazer. É importante lembrar que o ser humano tem instintos e a sexualidade é inata. Não podemos, nem devemos escondê-los. Muito pelo contrário: uma mulher bem resolvida sexualmente,é bem resolvida na vida.

Já é hora de progredir de fato, longe de falsos moralismos. Afinal, a busca pela felicidade e pelo prazer dão sabor à vida. Não é mais possível fingir que não há encanto em sentir-se desejada, em seduzir e em encontrar a tão procurada satisfação pessoal.

FONTE: BLOG MULHER 7X7 (www.epoca.com.br)



Escrito por edilvabandeira às 11h34
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